Do Coração do BispoMUNDONOTÍCIAS

A Democracia Representativa

A DEMOCRACIA REPRESENTATIVA
Uma relação de confiança ou de abuso de confiança?

Bispo Anderson Caleb

Já abordei em outra oportunidade sobre a democracia semi-direta adotada em nossa Carta Magna de 1988. Aquela que tanto tem instrumentos democráticos diretos (Plebiscito, Referendo, etc) como indiretos (o voto em representantes). Nesse regime, que prioriza a representatividade política, nossos “representantes” decidem e legislam por nós, afinal foram eleitos por nós. Mas a pergunta que não quer calar é essa: Representam eles de fato a vontade de seus eleitores? O que Como acompanhar essas decisões e como fiscalizar seus atos?

Uma vez eleitos esses representantes do povo, deputados, senadores, vereadores, prefeitos, passam então a representar nossa opinião sobre questões públicas e de interesse comum. Quer queiramos ou não.

Hauriou discorrendo sobre essa representação, achou que o eleitorado doa ao eleito sua confiança, que o regime representativo é então “ a organização da confiança”. Já Bigne de Villeneuve acha que esse sistema é mesmo a “ organização do abuso de confiança”.

Como então fiscalizar esses portadores de nossa “confiança”? Afinal confiança absoluta só em Deus, não é?

Penso que uma constante, independente e rigorosa atuação da imprensa, censurando-os ou aplaudindo-os, em seus atos parlamentares, é uma das melhores formas.
Exigir a publicidade de todos os atos parlamentares é outro caminho além de ser direito e dever do cidadão. Nesse aspecto a sociedade precisa de uma imprensa e de meios de comunicação o mais isentos possíveis.

Os verdadeiros representantes do povo deveriam prestar contas constante e regularmente de seus atos, votos, ações e omissões ao público. O que nem todos fazem. Deveriam também se curvar a opinião do povo quando a mesma fosse emitida, seja-lhes favorável ou não. E mais, deveriam receber com serenidade a imprensa séria, dialogar com seu público e viver pelos interesses de seu eleitorado.

POR UMA IMPRENSA CORAJOSA E UMA IGREJA PROFÉTICA.

Enfim precisamos de uma imprensa independente, corajosa e justa para emitir nosso juízo e perceber até que ponto nosso sistema representativo é a “organização da confiança” no dizer de Hauriou e do “abuso de confiança” no pensamento de Villeneuve.

Mas também carecemos de uma igreja profética, ou seja, atuando como os profetas do Antigo e Novo Testamentos, que tinham a cabeça no céu mas os pés bem no chão!

Eleitor cristão, se possível, vote melhor da próxima vez e, é claro, jamais tire os olhos do seu “representante”, bem como, cumpra sua missão de protestar contra os esquemas de injustiça e proclamar a justiça do Reino de Deus.

“Abre a tua boca a favor do mudo, pelo direito de todos os que se acham em desolação”
Provérbios 31.8

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