Do Coração do Bispo

Afinal, por que ser um dizimista no tempo da graça?

Uma prática bíblica e sobretudo coerente.

Bispo Anderson Caleb

A importância do dízimo para a Igreja e o progresso do Reino é indiscutível e visível. Algumas pessoas que se dizem contrárias ao dízimo estão agora mesmo:
sentadas e acomodadas no patrimônio que o dízimo adquiriu;
– Foram evangelizadas por pregadores, pastores e missionários sustentados pelos dízimos;
– Outras foram socorridas, ajudadas e ressocializadas por dízimos bem investidos;
– Frequentam escolas cristãs, Seminários, Colégios, Hospitais, Crehes etc, que foram erguidos na sua maioria com recursos do dízimo.
– Assistem e ouvem programas de rádio e TV sustentamos pelo dízimo, etc.

Enfim o dízimo tem sido um parceiro indispensável na expansão do Reino de Deus, só não vê isso quem quer ser cego por opção. Todavia reconheço que quando se trata do nosso bolso ficamos muito sensíveis. Entretanto penso estar escrevendo a discípulos de Jesus que não tem Mamon como seu Senhor. Gostaria aqui de listar algumas razões que me levam a ser dizimista com muita alegria, desde muito antes de ser Pastor.

RAZÕES PORQUE MUITOS NÃO ENTREGAM SEUS DÍZIMOS E OFERTAS:

1. Pensam que o Antigo Testamento foi revogado;
2. Imaginam que a lei de Moisés em seu aspecto moral , principiológico e espiritual findou no calvário;
3. Outros por usura e amor ao dinheiro;
4. Outros ainda para punir pastores;
5. Outros por pensar que podem administrar seu próprio dízimo;
6. Outros por acharem que o dízimo foi inventado na lei;
7. Outros ainda por imaginar que Jesus nunca falou e nem deu o dízimo, o que não é verdade;
8. Outros por algum trauma por terem sido obrigados e coagidos a devolverem o dízimo, sem jamais terem sido ensinados;
9. Por enxergar a Igreja visível como instituição e não como corpo de Jesus;
10. Por discordar da aplicação do dízimo, não sabendo que é a Igreja através da junta de diáconos e de sua Assembleia que decidem a aplicação desses recursos, à luz do ensino bíblico.
( Na Wesleyana essa Assembleia é o Concilio Geral, que divide sua competência com Concílios Regionais, assembleias locais e junta Diaconal).

Dentre outras insustentáveis razões.

10 RAZÕES POR QUE SOU DIZIMISTA E DEFENDO O DÍZIMO MESMO NO PERÍODO DA GRAÇA

1. O dízimo foi instituído no Antigo Testamento sim, entretanto não é o Antigo Testamento toda Palavra de Deus?
“Toda a Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça” 2 Timóteo 3.16.
Existe continuidade do AT no NT, exceto no que tange a leis sacrificiais, cerimoniais e políticas.

2. JESUS não aboliu o Antigo Testamento, mas cumpriu a Lei e ratificou Moisés e os Profetas.
Ele citou repetidamente o AT ampliando o alcance de vários preceitos no sermão da montanha.

Ouçamos Jesus:

“Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim abrogar, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido” – Mateus 5.17,18.

Em Paulo lemos:

“E assim a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom” – Romanos 7.12

Sobre a Lei , Stott, um dos maiores e mais coerentes teólogos ensina:

“John Stott, em sua obra A Mensagem de Romanos, menciona três tipos de pessoas e as atitudes que elas adotam diante da lei.

a. O legalista – Observa rigorosamente a lei, mas está sob sua servidão. Uma vez que não é capaz de cumprir integralmente a lei, acaba vivendo de aparências. Pauta seu comportamento pela religiosidade hipócrita. Observa excessivamente o exterior, mas não é capaz de examinar o próprio interior. Aponta os pecados alheios, mas não enxerga os próprios erros.

b. O antinomiano (ou libertino) – Detesta a lei e a lança fora. Transforma a liberdade em libertinagem. Rejeita integralmente a lei e se declara completamente livre de suas exigências. Para quem pensa assim, a lei é causadora de todos os seus problemas. Vive sem normas ou limites.

c. O cristão equilibrado – Respeita, ama e obedece à lei. Ele se alegra pela libertação do regime da lei e pela liberdade que Deus dá para cumpri-la. Regozija-se pela oportunidade de observar a revelação de Deus – a Bíblia (Rm 7.12), reconhe­cendo que a força para cumprir tais preceitos vem do Senhor.”
(ultimato.com.br, Dionatan Cardoso).

3. Sou dizimista também, porque Jesus foi dizimista fiel, afinal Ele cumpriu a Lei.
Galatas 4.4 nos diz que Jesus nasceu “sob a Lei”. Devo assim imitar meu mestre.

4. Sou dizimista inclusive, porque Jesus aprovou a prática do dízimo e empregou um tom de mandamento ao tocar no assunto em Mateus 23.23.
“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas” – Mateus 23.23

Uma coisa não anula a outra, Jesus disse para fazer estas coisas “sem omitir aquelas”. Um texto tão claro, não acha? Os ensinos de Jesus antes e depois do Calvário se aplicam à Igreja.

5. O Dízimo antecede a Lei , não é invenção da Lei, que em certo sentido e aspecto, vigora.
Abraão entregou o dízimo antes de existir a Lei a Melquisedeque (um tipo, símbolo, de Jesus no AT), fato reconhecido e citado sem reprovação no Novo Testamento em Hebreus 7. 1-3. O dízimo partiu da voluntariedade de Abraão. Depois Jacó fez o mesmo. Gn 28. 20-22.

6. Eu devolvo o dízimo exatamente por me sentir debaixo da graça e o faço como Abraão e Jacó, voluntariamente sem a obrigação da Lei de Moisés.
Além de fazer isso voluntariamente faço-o também como obrigação, uma obrigação do amor, da graça. Aliás quem disse que não há Lei na graça? Bonhoefer chama essa graça sem Lei, sem mandamentos, sem disciplina, de “graça barata”. Na graça “a quem muito foi dado, muito é cobrado”, Lucas 12.48.

Todavia mesmo ciente que existem obrigações na graça, devolvo eu o dízimo por gratidão, afinal todos nós temos recebido tanta graça! O amor de Cristo e sua graça me constrangem e ser grato e generoso.

7. Devolvo meu dízimo também por estar ciente de que nada é meu, todo dinheiro e bens que tenho recebido e conquistado veem de Deus , são Dele.
Salmo 24.1.
Sou apenas um mordomo Dele, um administrador. Esse sentimento de posse em relação aos bens e ao dinheiro, não é cristão e nega o verdadeiro discipulado. Nos bastidores do combate ao dízimo sempre vamos encontrar a avareza.

8. Sou dizimista porque o dízimo é coerente e lógico no que tange aos sustento e sobrevivência financeira da Igreja organizada.
A Igreja vive de doações e dízimos, não recebe verbas governamentais. Sendo assim ofertas esporádicas não sustentariam a estrutura, o serviço social e avanço missionário da Igreja. A missão exige uma contribuição regular e generosa. Como eu amo a obra de Deus e quero ser parceiro de seu avanço dou dízimos e ofertas com alegria e voluntariamente. É coerente. O dízimo inclusive, é um método de contribuição proporcional, não pesa pra ninguém, é dez por cento (décima parte) para qualquer um.

9. Sou dizimista e ofertante porque percebo o quanto o ímpio investe na impiedade.
Vícios, jogatina, luxo, e seitas, feitiçaria, são sustentadas por milhões de reais. Enquanto muitos cristãos não são capazes de investir no Reino de Deus ou doar recursos a projetos de beneficência e missões. Sim, posso renunciar algum divertimento ou luxo para semear nesse terreno fecundo e produtivo que é a obra de Deus. Lançarei meu pão sobre as águas!

“Lança o teu pão sobre as águas, porque, depois de muitos dias, o acharás” – Eclesiastes 11.1

10. Por fim em meus mais de 50 anos de crente nunca vi um crente zeloso e fiel com seu dízimo empobrecer.
Passamos por lutas, desemprego, escassez, mas Deus foi e é sempre fiel. Ninguém nunca me procurou pra dizer “Pastor o dízimo me fez empobrecer”. Nunca.

“Fui moço e agora sou velho; mas nunca vi desamparado o justo, nem a sua descendência a mendigar o pão” – Salmo 37.25

ONDE SOU DIZIMISTA?
Uma preocupação pertinente.

Muita gente se tornou contra o dízimo por ter se decepcionado com ministérios que não souberam valorizar, respeitar e honrar a fidelidade do dizimista, promovendo farra com o dinheiro do povo de Deus e da Igreja de Deus, por exemplo. Por isso “onde” entregar ou devolver seu dízimo é relevante.

Sendo assim estou feliz porque:

– Entrego meu dízimo numa igreja e organização séria, devidamente legalizada e responsável perante a legislação;
– Entrego meu dízimo numa denominação que não possui donos ou coronéis, onde seus líderes são eleitos em Assembleias democráticas e representativas periódicamente;
– Entrego meu dízimo numa denominação que faz missão e missões, planta Igrejas, envia missionários, constrói e sustenta Seminários teológicos, enfim investe no Reino de Deus;
– Entrego meu dízimo numa igreja que faz ação social, socorre os carentes, ajuda os idosos, distribui alimentos aos carentes, socorre viúvas, desabrigados etc…
– Entrego com alegria meus dízimos e ofertas numa igreja que possui uma junta de diáconos que mensalmente faz a gestão dessas doações e fiscaliza seu emprego e justa distribuição; e que relata anualmente a assembleia de contribuintes membros da Igreja;
– Com alegria entrego meu dízimo numa denominação que sustenta seus obreiros e missionários não os abandonando à miséria ou a uma vida indigna

Enfim são muitas as razões, mas vou ficar com essas por agora.

Com coração grato e sem barganhas com Deus. Dízimos não compram Deus, mas a fidelidade e a generosidade o agradam.

Devolva seu dízimo, ele não é do Pastor e nem da Igreja, é do Senhor!

O DIZIMO É SANTO AO SENHOR!

“No tocante a todas as dízimas de vacas e ovelhas, de tudo o que passar debaixo da vara, o dízimo será santo ao SENHOR” – Levíticos 27.32

Amém.

Bispo Anderson Caleb

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