Do Coração do Bispo

Aos que ‘adoram’ Adorar.

Quando a música e a adoração se tornam um fim em si mesmas.

Bispo Anderson Caleb

Em minha jornada ministerial já ouvi muita gente dizer: “Eu adoro música”, outros julgando-se mais espirituais, diziam: “eu adoro adorar”. Como gosto de pensar sobre o que ouço, comecei a refletir. Percebi então, sem querer ser juiz de ninguém e nem usar uma peneira muito fina, que de uma forma sutil, uma espécie de “adoração a adoração” estava se estabelecendo em muitos cultos, que deveriam ser unicamente teocêntricos. Não vejo nada de errado em gostar de música e de gostar de louvar a Deus e de adora-lo com canções. Não. Eu também gosto.Todavia percebi que a musica e o louvor, estavam se tornando um fim em si mesmos. Discernir ainda que existe uma tênue linha entre adorar a Deus e “adorar adorar”. Penso até que um encontro, um “show” de adoração a Deus pode se tornar numa reunião de adoração à adoração, de adoração à si mesmo, de entretenimento e diversão pessoais. Não penso que o uso de letras cristãs, teocêntricas, ou um ambiente cristão, nos assegure ou proclame que o adorado ali seja unicamente DEUS.

Por isso quero denunciar nesse artigo, o perigo de permitir que o louvor ou a música cristã seja um fim em si mesmo e não um meio.
Não importa o ritmo ou estilo musical. Pode ser um louvor clássico ou contemporâneo, se eles se tornarem um fim, se tornarão perigosos e a essência do culto vai ser traída.

QUANDO A MÚSICA CRISTÃ SE TORNA UM FIM E NÃO UM MEIO.

1. Quando a música cristã se torna um fim em si mesma, ela se transforma em ídolo. Os que “adoram adorar” se tornaram numa espécie de idólatras sem perceber. Seus gritos e gemidos não passam de catarses e emocionalismo. Deus não é o foco, mas a música Dele.

2. Quando a música cristã, gospel ou um louvor a Deus se tornam um fim em si mesmos e não um meio para se adorar a Deus, essa falsa adoração, que parece verdadeira, torna-se numa celebração hedonista ao prazer religioso.
O gozo espiritual deve ser o resultado da verdadeira adoração a Deus, não pode ser jamais, o objetivo do adorador. Glorificar a Deus vem antes de gozá-lo. A Escritura nos ensina a nos alegrarmos “no Senhor”. Se a busca pelo prazer de sua presença não estiver atrelada a um profundo desejo de santidade, de contemplar a santidade de Deus, de obediência a sua vontade, e a um reverente temor e tremor, então esse desejo pelo prazer de sua presença vai se tornar no mínimo, incoerente e suspeito.

3. Quando a música cristã ou gospel, quando o “louvor a Deus”, se tornam o fim e não o meio de adorá-lo e agradá-lo, essa música nos afasta gradativamente da Palavra, da reflexão bíblica e da oração. Quanta gente ama ficar horas cantando, “louvando” , gemendo , mas não consegue se aquietar 15 minutos para ouvir a palavra, não consegue , não suporta ler a Bíblia por dez minutos seguidos. Alguns depois de toda aquela coreografia extravagante, se levantam e saem quando a pregação se inicia. Então eu pergunto, será que eles estavam mesmo adorando a Deus? O Deus da Palavra? Então porque não suportam ouvir ou refletir sobre sua Palavra? Outros desses “loucos por Jesus” , “desesperados adoradores” dificilmente são vistos nas reuniões de oração ou na EBD. É claro que não generalizo aqui. Mas é incoerente amar a Deus, “amar” adorar ao Senhor e fugir de sua Palavra, da escola dominical, dos grupos de discipulado.

4. Quando a música ou o cântico de adoração se tornam um fim em si mesmos, esse cântico projeta em nós uma certa ilusão. Pensamos que vivemos uma experiência espiritual quando a cantamos, mas tudo não passou de uma ilusão. Isso porque a alma não ansiava por Deus, mas pela emoção da música, por seu delicioso ritmo, por sua harmoniosa melodia e sua sacralidade e letra extremamente mística e misteriosa. As vezes somos atraídos pelo mistério e não por Deus, pelo Deus da Bíblia. Cantar sobre missões nem sempre nos conscientiza de nossa missão, apesar de quase sempre nos emocionar, cantar sobre a presença de Deus , sobre o Espírito Santo nem sempre nos enche do Espírito e nem significa estar cheio dele. Os verdadeiros adoradores porém não só sentem o que cantam, mas pensam no que cantam e tomam atitudes sobre o que cantam. Não cantam como fim mas como meio de adorar a Deus e de buscar uma verdadeira encarnação da canção entoada. Será que me faço entender?

Não nego que Deus use a música, mas fico indignado quando a música “usa” Deus.
Algumas letras e composições usam o nome se Deus em vão, para se venderem, para emocionar pessoas, projetar artistas, etc. Quantos cantores que nunca se converteram a Deus e a Jesus, que jamais vivem o que cantam, cantam músicas cristãs? As vezes lindas inclusive, todavia não passa do uso em vão do nome de Deus.

Nem toda música e louvor são bem vindos aos ouvidos de Deus:

“Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos, porque não ouvirei as melodias das tuas liras.”
(Amós, 5.23)

Conclusão:
Este artigo não visa diminuir seu amor pela música cristã e gospel, não pretende também condenar a alegria de adorar a Deus e nem de gozá-lo e de sentir prazer espiritual e santo na adoração. Isso não está errado. Pretende apenas lembrar aos adoradores que o Centro do Culto é Deus em Cristo. Não é nosso prazer espiritual. Esse prazer santo, ainda que legítimo, é a consequência de um culto teo-cristocêntrico.

Soli Deo Glória.
Bispo Anderson Caleb
Metodista Wesleyana Primeira Região.

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