Do Coração do Bispo

Por que é tão difícil perdoar um Pastor?

Por que é tão difícil perdoar um Pastor?

Bispo Anderson Caleb
“podendo ele compadecer-se devidamente dos ignorantes e errados, porquanto também ele mesmo está rodeado de fraqueza.
(Hebreus, 5.2)
“Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; mas, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo.”
(1 João, 2.1)
Existem profissionais e líderes dos quais se exige quase a perfeição absoluta: juízes, policiais, delegados, médicos, são alguns. Todavia estou convencido que o “pastor” é a quem mais se nega o perdão, ou pelo menos a quem mais se dificulta o perdão.. Por que nós temos tanta dificuldade em perdoar um pastor ? Vou apresentar algumas respostas na tentativa de dialogar com vocês:

Possivelmente essas sejam algumas razões:

1. Talvez porque os pastores são vistos como “sobre-humanos”, heróis, ou super-homens. Mas o pior, entretanto, é que alguns pastores acreditam nisso e tentam agir como se fossem esses “supers”. Pastores são humanos e por isso falíveis. Crentes, Presbíteros, seminaristas, também são humanos, humaníssimos, e por isso estão todos sujeitos a pecar.
Elias era como nos, sujeito às mesmas paixões. Abraão, Davi, Salomão, Pedro, Paulo, John Wesley, Jonatas Edwards, Spurgeon, Jymmy Swaggart, etc cometeram erros, e alguns, erros gravíssimos, mas foram quem foram, erraram, sim, mas foram restaurados.

2. Talvez porque muitos pastores não admitem errar e vendem uma imagem de “infalibilidade” e de perfeição quase absoluta. Jamais confessam fraquezas. E o que é pior, muita gente compra essa imagem.
3. Talvez porque na maioria das vezes são vistos como “santos” ou mitos. Existe uma certa “canonização” psicológica do pastor ou do líder religioso na mente das pessoas. Exagera-se o alcance do termo “ungido do Senhor” ou “anjo da Igreja”. Alguns pensam que um homem depois de consagrado vira anjo mesmo. Perdoem-me a ironia, mas as vezes parece ser verdade.

4. As vezes é difícil perdoar para alguns, pois imaginam ser o perdão contrário à justiça. Mas não é. E aqui falamos da Justiça divina. Nosso Deus é um Deus justo que perdoa e nos ordena a perdoar, na justiça do Reino o perdão é tema prioritário. Nossa justiça é superior a dos escribas e fariseus, não por ser mais severa, mas por conter mais graça, perdão , uma segunda milha, etc. Não é mais “olho por olho”, “não se deve mais “matar o inimigo”, mas orar por ele e até ama-lo. Essa é a superioridade da Justiça do reino. Ela está cheia de “graça”. Queridos somos ministros da Graça de Deus, 2 Co 3.6, que é a nova aliança.

              4.1. O Perdão tem algo de vicário. Você leva sobre si a culpa do ofensor. Exatamente como fez Jesus! E então você deve fazer como Jesus fez, tratar o pecador como se ele nunca, nunca tivesse cometido aquele pecado, como acontece na justificação. Romanos 5.1, Isaías 53.4. etc
“Perdoa as nossas dívidas assim como…” Diz a oração do Pai nosso. E como é que Deus nos perdoa? Ele nos justifica e nos dá a “Paz com Deus”, nos tratando como justos, como se nunca tivéssemos pecado antes.
Isso te escandaliza? A graça te escandaliza? Mas é assim.
O Trono de Deus é chamado de trono da graça. E Ele é o Juiz maior e mais reto de todos.

5. Outros tem dificuldade em perdoar líderes e pastores, por estarem consumidos de um desejo de vingança, ou ainda, querem dar o troco, ou então, querem “capitalizar”, levar vantagem, sobre a queda de alguém, como se estivessem numa competição. Isso é extremamente carnal e maquiavélico.

E AS CONSEQUÊNCIAS?

Todo pecado tem consequência, entretanto no caso de um pastor, sem dúvida elas são muito mais abrangentes. Deus perdoa, mas as consequências virão. Em alguns casos Deus ameniza essas consequências, frente a um genuíno e rápido Arrependimento. Foi o caso de Pedro, e Jesus logo lhe disse : “apascenta as minhas ovelhas”, continue no ministério.

As consequências são diversas, tais como:
Vergonha,
Dor,
Perdas diversas,
Uma consciência culpada e acusadora,
Enfermidades psicossomáticas,
Falta de poder
Perda do ministério.
E até perda da salvação!!

QUANDO NÃO SE DEVE PERDOAR?

Não quero advogar aqui o perdão fácil e irresponsável, ainda que a graça seja um “favor imerecido”.
Por isso ouso afirmar que não se deve perdoar pelo menos enquanto perdurarem duas situações:

1. Se a confissão do pecado não for completa e sincera. Quando o pecador tenta justificar seu pecado ou põe a culpa nos outros. Nesse caso não houve Arrependimento sincero, então ele não está pronto para o perdão, não vai valorizar o mesmo.

2. Não se deve perdoar quem esta brincando de pecar, não tem temor e repete o pecado constantemente. Sim, Deus nos perdoa muitas vezes, mas desde que haja Arrependimento verdadeiro e abandono.

Todavia se alguém pecar contra ti 70×7 vezes, ainda assim se deve perdoar. Sim, mas repito, desde que haja verdadeiro Arrependimento e confissão. Caso contrário estamos banalizando o perdão.

Se não ocorrerem as circunstâncias elencadas acima, deve haver sempre o perdão e é claro, a RESTAURAÇÃO.

E A RESTAURAÇÃO DO OBREIRO?

Se em nosso coração não existe espaço para a restauração, então é porque não perdoamos. E eu nem preciso dizer pra você que não perdoar é praticamente um “pecado imperdoável”, no conceito de Jesus certo? Veja Mateus 6.15.

Sobre a “restauração” do perdoado e a reconstrução de seu ministério, conversaremos depois. Afinal não basta perdoar é preciso
Saber restaurar. Deus e Jesus em toda a Bíblia nos ensinam a restaurar os arrependidos e perdoados: Davi, Pedro entre outros são exemplos. Mas depois conversamos sobre esse tema.

Querido:
Perdoar e Restaurar são atitudes divinas: imitemos a Deus aqui. Perdoe seu pastor, seu líder espiritual , perdoe sempre. E a você que recebeu o perdão digo: VALORIZE! Caso contrário seu arrependimento não será levado a sério. Amém.

Bispo Anderson Caleb
IMW 1ª Região

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