Do Coração do Bispo

Porque é coerente que os discípulos de Jesus não curtam música secular e mundana?

Bispo Anderson Caleb.

Um apelo ao discernimento, à lucidez e à coerência.

Um diálogo com adolescentes e jovens nascidos de novo, que querem sobretudo serem cheios do Espírito Santo. Afinal a pessoa natural não entende coisas espirituais, confira:

“Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.”
(1 Coríntios, 2.1 4)

Sim, reconheço também que existem músicas no gospel com letra inclusive anti-cristã, mas isso é a minoria e um erro não pode justificar o outro.

Mas você é livre jovem pra fazer o que quiser, só não é livre das consequências, pense nesse texto:

“Alegra-te, mancebo, na tua mocidade, e anime-te o teu coração nos dias da tua mocidade, e anda pelos caminhos do teu coração, e pela vista dos teus olhos; sabe, porém, que por todas estas coisas Deus te trará a juízo.”
(Eclesiastes, 11. 9)

Dito isso, respeitosa e amigavelmente venho expor minha opinião:

10 RAZÕES PARA NÃO SE LIGAR NA MÚSICA DO MUNDO (AS VEZES CHAMADA DE SECULAR):

Antes de tudo quero deixar claro que o problema está em se “ligar”, “curtir” ou “buscar” a música secular e mundana, que pra mim são a mesma coisa, por serem deste mundo e do presente século.
Inclusive porque, o fato da letra ser bonita, politicamente correta, não significa ser cristã. O Diabo citou a Bíblia pra tentar e seduzir Jesus.

Impossível não ouvir:

Afinal não ouvir essa música é impossível. Elas fazem parte de trilhas sonoras de filmes, embalam alguns casamentos (de não cristãos ou de cristãos sem convicções firmes), tocam em bares, restaurantes, programas de TV e etc. Não tem como não ouvir, você vai ouvir, mas existem maneiras de não se ligar nela.

Lutero:

Martin Lutero disse certa vez que você “não pode evitar que um pássaro voe sobre sua cabeça, mas pode evitar que ele faça um ninho”.

Vamos as Razões de não “curtir” música mundana ou secular (do presente século):

1ª – Porque gostar, apreciar, ouvir a música não cristã pode nos levar ao ambiente e ao lugar, onde ela é executada.

Shows , bailes, baladas, começam a se tornar uma opção razoável, considerando ser uma música “boa”, de bons princípios, de boa poesia, e que me atrai, o show do cantor se torna uma possibilidade. E assim a “isca” funciona. Você começa ouvindo a música, depois vai ao show, do show pra balada, depois um pouco de álcool (vinho, que parece tão cristão, não é?), uma paquera no show, uma garota, um cara , um “ímpio(a)” tão bonzinho, ‘parece até cristão”, etc, e assim “um abismo” vai chamando, vai pedindo, vai “exigindo” outro abismo.

Mas ouço alguém dizer: deixa de ser radical Bispo, afinal “tá todo mundo fazendo isso”, somos jovens, “logo eu vou ser o diferente? O moralista? O legalista?” .
Pois é, mas quando você acorda, perdeu o desejo de orar, de congregar, de evangelizar, das vigílias, etc. E tudo começou por uma ingênua atração por música não cristã. Será que estou exagerando? Você sabe que não.

2ª – Frequentemente a música não cristã, mundana ou secular, são compostas em ambiente e por pessoas não cristãs, e algumas, até com comportamentos suspeitos.

E isso faz muita diferença. Já imaginou quantos casais cristãos estão sendo embalados por músicas românticas compostas por alguns adúlteros, drogados, gente que troca de parceiro como se troca de roupa, infiéis, com opções sexuais no mínimo destoantes da maioria dos cristãos? Ou simplesmente foram compostas por pessoas que odeiam o cristianismo, creem e adoram falsos deuses, ou são ateus (e é direito de cada um ser e crer no que quiser). Se a fonte é questionável, seu produto é questionável, não acham?

E as fontes dos cantores seculares?
Você sabia que a algum tempo num programa do João Doria a Paula Fernandes afirmou ser espírita (um direito dela que respeitamos) e que não compõe suas músicas sozinha mas com ajuda e presença espiritual?

Um versículo para os músicos e cantores que se inspiram em músicas e acordes seculares e mundanos. Ou você achou que a Bíblia iria se calar sobre isso?

Então leiamos:
“Tanto os cantores como os que tocam instrumentos dirão: Todas as minhas fontes estão em ti.” (Salmos, 87.7)

E as suas e as minhas fontes , estão todas em Deus? Em sua palavra? Ética, ensinos? Qual a fonte da sua diversão? Do seu romantismo? Do seu entretenimento e distração? De sua poesia? Estão em Deus?

3ª – Porque existem coisas lícitas, mas que NÃO CONVÉM. Existem comportamentos que podem até ser lícitos legais, que não contrariam as leis , o bom senso, mas NÃO convém, não colam, não condizem.

“Todas as coisas são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas são lícitas, mas nem todas as coisas edificam. (1 Coríntios, 10.23).

Não convir significa que: não cai bem, não é coerente, sensato, não se encaixa com uma vida no altar. Não edificam nem glorificam a Deus. Nós cristãos podemos fazer qualquer coisa licita que a lei não proíba , podemos ouvir, inclusive, qualquer tipo de música, mas não o fazemos porque não convém e nem edificam. Somos livres para servir a Deus, livres para obedecer. E isso é a verdeira liberdade, afinal sem Cristo o ser humano é escravo do pecado e não possui a liberdade de escolher uma vida santa. Não é livre para abandonar o pecado, mesmo se quiser. Mas a liberdade Cristã não me permite ser incoerente para desejar o que não convém. Só os verdadeiramente livres conseguem optar pela santidade.

Curtir, se ligar em música não cristã, não convém, não é coerente com uma vida espiritual 24 horas ligada no céu. Não combina com os sedentos de Deus, com os que ficaram perplexos e foram tocados por Sua Santidade. Não convém.

4ª – Músicas revelam crenças e cosmovisões.

Nossas crenças estão em tudo que produzimos. Na música vamos encontrar as crenças que formam o alicerce de seu argumento poético. A maioria das músicas românticas por exemplo não cristãs, tem crenças e cosmovisões opostas ao evangelho, por exemplo:

4.1. Exaltam o amor e a paixão acima de outros valores e até da paz :
“Eu troco a minha paz por um beijo seu” (Luan Santana)

4.2. Generalizam e supervalorizando o amor sem explicar que amor é esse:
“Amar não é pecado
E se eu tiver errado
Que se dane o mundo
Eu só quero você”(Luan Santana)

Comentário:
Amar porém pode ser pecado sim! Por exemplo:
Amar a mulher ou o marido do outro(a);
Amar acima de Deus, Amar acima da vida e matar ou se matar por amor, etc…
Amar pode ser pecado sim!

4.3. Conferem caráter religioso e espiritual ao amor romântico:

“Ah, amor, você é minha religião. É minha luz, é o meu sol” (Jorge e Mateus)

A palavra “religião” vem de “religar”, e sabemos que só Cristo nos “religa” (religare) a Deus.

4.4. Brincam e até zombam de Deus, como por exemplo:

“Quando Deus te desenhou, ele tava namorando” (Armandinho).

“Sim, ele é Deus. E eu sou louca. Mas ninguém desconfia. Pois disfarçamos muito bem. Somos imortais, a morte não existe. Eu vou rezar, ligar o rádio, ficar invisível. Pois nada vai te atrapalhar pra me seduzir, quero te encontrar.
Deus, por favor Apareça na televisão Deus, por favor”
(Kid Abelha)

Observe:
” disfarçamos muito bem”
“…me seduzir”
Expressões que no contexto da letra se aplicam a Deus.

Em uma entrevista para o The Observer, em 2006, Elton John mostrou-se a favor de que a religião fosse “banida”. E em uma entrevista para o Evening Standard, em 1966, John Lennon advertiu o jornalista Maureen Cleeve:”O cristianismo vai sumir. Vai desaparecer e encolher. Eu não sei o que vai primeiro, o rock n’ roll ou o cristianismo… (Os Beatles são) mais populares que Jesus agora.”

Fonte: Rockstars que atacaram a igreja, Jesus Cristo e Deus http://whiplash.net/materias/curiosidades/092000.html#ixzz4C4ME4HLd

Katy Perry – desviada, ex cantora gospel, declarou em entrevista que vendeu a alma pro diabo e numa música afirma “estou dançando com o diabo, veja o vídeo
“Para os Cristãos que Gostam de ouvir música do Mundo” clique aqui.

” É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar pra pensar na verdade não há” – Renato Russo.

Bom essa letra parece tão inocente , mas prega um imediatismo que não se importa com o amanhã. Sim há um amanhã!! Viver afirmando que não há amanhã é uma filosofia hedonista do “faça o que quiser hoje pois o amanhã não existe”. Mas a vida desses poetas fala mais alto ainda que suas canções de duplo sentido e etc.

5ª – Músicas influenciam lentamente o caráter e a vida.

Você sabia que Sócrates o antigo filósofo, se preocupava com essa discussão sobre que tipo de música ouvimos? Pra ele a música forjava a alma e o caráter. Influenciava e muito as pessoas.

Gostei de um trabalho acadêmico de uma estudante de psicologia sobre o assunto. Lendo Sócrates ele percebeu que:

“Para Sócrates e Platão a música era um dos pilares centrais da vida de uma pessoa e de uma sociedade. Através da música poderia estimular uma sociedade a agir de diversas formas, modificando o comportamento e pensamento. Sócrates explica que o efeito de forjar a alma e formar o caráter não acontece da noite para o dia. ou seja, uma música ruim no Ipod não vai estragar seu caráter de imediato, é algo que ocorre de modo lento e sutil e tem inicio na infância. As pessoas educadas nos tipos de músicas mais adequados à sociedade ideal terão as emoções treinadas para sentir o que há de bom e mau nas coisas antes mesmo de serem capazes de entender como ou por quê. Elas vão rejeitar naturalmente o que for vergonhoso, excessivo ou covarde e contentar-se com o que for bom.” – (Sócrates e a Música . Ana Carolina Coura Nolasco Estácio de Sá, Niterói 03/10/2014)

A música não é algo neutro. Pelo menos para Sócrates, parece que a música era algo bem diferente de uma aula de filosofia, ou de outra manifestação cultural secular. A música poderia modificar pensamentos e comportamentos, segundo o celebrado filósofo. Sócrates percebeu o poder da música de transformar lentamente as pessoas. E você, já percebeu isso? Você ainda acha que ouvir música é uma ingênua diversão?

6ª – Quem já pisou no “Santo dos santos”, em outro lugar não sabe viver.

“A gente escolhe viver uma experiência com o mundo porque a gente nunca viveu uma experiência com Deus” – Carina Rocha.
Assista o vídeo dela no Youtube “Cansei de ser de Deus” assista aqui.

Quem vive em plena comunhão com Deus, intimidade mesmo, não se sente mais atraído pelas atrações do mundo. Embora seja tentado, as experiências com Deus são bem mais fortes e melhores que as do mundo. Mas só quem “já pisou no Santo dos santos” e ainda está lá, entende isso. Não adianta eu tentar te explicar. O problema é que jovens e adolescentes que estão na Igreja ou em uma Igreja sem poder, sem unção, sem Palavra e sem desafios, que estão longe do “Santo dos santos”, acabam desejando voltar ao Egito, ou se são filhos de crentes, querem “experimentar’ o Egito.

7ª – Não se deve curtir a música mundana, secular ou anti-cristã, por que “nem tudo que reluz é ouro.”

Reconheço que existem músicas seculares e não cristãs com letras que parecem até ter saído da Bíblia, dos Salmos, Cantares ou de um hinário. Sim existem letras românticas interessantes, poesias e poemas belíssimos. Mas tudo sob uma cosmovisão humanista e natural, disfarçada de valores cristãos. É sabido dos crentes que leem a Bíblia que Satanás se transforma em “anjo de luz” (“você caiu do céu, um anjo lindo que apareceu” música do grupo Roupa Nova, lembra?). E os seus ministros, os mensageiros de satanás, se transformam em ministros de justiça. Já leu isso na Bíblia? Então leia: 2 Coríntios 11.14,15.

Para ser de Deus e Cristão, a música não precisa ter apenas uma letra teologicamente certinha, precisa ter uma fonte confiável e uma cosmovisão cristã.

Você sabia que até a Palavra de Deus, a Bíblia, na boca de Satanás se torna em mentira. O diabo usou textos da Bíblia pra tentar Jesus!
Lembra-se também da jovem adivinhadora de Filipos que elogiava os apóstolos, um belíssimo discurso! Até que Paulo expulsou o demônio que a possuía. Existe muita coisa, muita filosofia, sentimentos, por trás das letras das músicas que quem escuta e curte geralmente compra sem perceber. O que cantores e compositores que se opõe a moralidade cristã querem dizer com palavras como: “amor”, “sexo”, “paixão”, “amar você”, “amizade”, “entregar” etc? Certamente não possuem o mesmo significado que um discípulo de Jesus as atribui.

No minimo o consumo dessas lindas canções “seculares”, ajuda a financiar a indústria da música mundana. Pense nisso.

8ª – Porque nem tudo que é lícito, legal, dentro das leis, tido por correto por muitos, nos convém e nem pode nos dominar:

“Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas; mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas.”
(1 Coríntios, 6,12)

9ª – Quanto a questões culturais, minha posição é a de que o cristão deve ser agente de transformação e Não de conformação com a cultura.

Abaixo uma parte de um texto do teólogo reformado Franklin Ferreira:

“O CRISTAO COMO AGENTE TRANSFORMADOR DA CULTURA

A cultura deve ser levada cativa ao senhorio de Cristo. Sem desconsiderar a queda e o pecado, mas enfatizando que, no princípio, a criação era boa, os que estão nesse grupo enfatizam que um dos objetivos da redenção é transformar a cultura. Sendo assim, por mais iníquas que sejam certas instituições, elas não estão fora do alcance da soberania de Deus. Ou seja, mesmo sabendo da queda, o cristão não abandona a cultura (o cristão contra a cultura), mas busca redimi-la, levá-la aos pés de Cristo.

Agostinho (354-430), João Calvino (1509-1564), John Wesley (1703-1791) e Abraham Kuyper (1837-1920) são alguns dos que entenderam que os cristãos são agentes de transformação da cultura, posição que é exposta nesta obra de Niebuhr. Em Apocalipse, vemos que Deus redime tanto a pessoa, como a diversidade cultural.

Relatório de Willowbank

A afirmação de que o cristão é um agente transformador da cultura pode ser resumida na compreensão de que “uma vez que o homem é criado por Deus, parte de sua cultura será rica em beleza e bondade. Por causa da queda e do pecado do homem, toda a sua cultura [usos e costumes] está manchada pelo pecado, e parte dela é demoníaca” (Pacto de Lausanne §10) — o evangelho nunca é hóspede da cultura, mas sempre seu juiz e redentor.

Fonte: site: Voltemos ao Evangelho.
artigo O Cristão e a Cultura de Franklin Ferreira.

10ª – A última razão para não curtir e se ligar em músicas não cristãs, mundanas e seculares é que temos hoje um vasto repertório de canções cristãs e evangélicas que podem nos abençoar, alegrar, elevar e entreter nossos filhos.

Gostei de uma abordagem sobre cultura sobre os 3 R’s do Vinícius Musselman Pimentel, do site, que gostaria de citar e colocar o que penso. Os três R’s são;

Receber
Rejeitar
Redimir

Receber

“Há coisas na cultura que fazem parte da graça comum de Deus a todas as pessoas, as quais um cristão pode simplesmente receber. É por isso que, por exemplo, estou digitando em um Mac e vou postar neste blog na internet sem ter que procurar um computador ou um formato de comunicação expressamente cristãos.”E eu adicionaria a ciência, matemática, direito, medicina etc, o hino nacional, um carro outras coisas que vem da graça comum de Deus.

Rejeitar

“Há coisas na cultura que são pecaminosas e não benéficas. Um exemplo é a pornografia, que não tem valor redentor e deve ser rejeitada por um cristão”. Aqui eu ainda acresceria as músicas mundanas e seculares anti-cristãs, a filosofia do levar vantagem a qualquer custo, divertimentos violentos etc…

Redimir

Há coisas na cultura que não são ruins em si mesmas, mas podem ser usadas de uma forma pecaminosa e, portanto, precisam ser redimidas pelo povo de Deus.

Mas voltando ao assunto, sim, temos é devemos ouvir mais a música cristã, pois na maioria das vezes (nem sempre, admito), vem de pessoas que honram a Deus, ao cristianismo e nasceram de novo.

Fico por aqui. Encerro esse assunto. Não pretendo polemizar e nem afastar pessoas por questões de opinião. Jamais.
Todavia a radicalidade do verdadeiro evangelho se impõe em qualquer tema.

Bispo Anderson Caleb

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