Mulheres

Preparando a Próxima Geração

por Susana Wesley

Susanna Wesley, mãe de 19 crianças, levou muito a serio a responsabilidade dada por Deus de preparar seus filhos para o serviço dEle. Os notáveis frutos de sua fidelidade nesse chamado foram os filhos John e Charles, líderes do que ficou conhecido como o Reavivamento

Metodista na Inglaterra do Século XVIII. Esse avivamento recebeu o credito de ter salvo a Inglaterra da anarquia política e espiritual e posteriormente pelo nascimento da Igreja Metodista Unida.

Sua filosofia bem sucedida de educar as crianças esta resumida nessa carta enviada ao filho John, a seu pedido. Embora tenha sido escrito há 250 anos, autores contemporâneos, tais como Dr. James Dobson e o Reverendo Larry Christenson, concordam com ela no que diz respeito a necessidade de controlar a vontade da criança na mais tenra idade. Note sua paciência e firmeza, enquanto criava seus filhos no temor do Senhor.

21 de fevereiro de 1732

Querido John,

Sinto uma certa aversão em escrever qualquer coisa sobre meu método de educação. Não creio que será de utilidade para alguém saber como eu, que vivi uma vida retirada por tantos anos, utilizei meu tempo e cuidado para criar meus filhos.

Ninguém pode observar meu método sem renunciar ao mundo, no sentido mais literal; e são poucos, se ainda houver, aqueles que seriam capazes de devotar inteiramente vinte anos da melhor fase da vida na esperança de salvar a alma dos filhos, a qual pensam que pode ser salva de outra maneira, sem tanto sacrifício; pois essa foi minha principal intenção, ainda que sem habilidade e administrada sem sucesso.

De acordo com seu desejo, anotei as principais regras que observei ao educar minha família. Desde o nascimento, as crianças sempre eram colocadas num método de vida bem regular, com horários bem definidos; com uma hora certa para trocar de roupas, trocar as roupas do berço, etc. Normalmente dormiam na parte da manhã.

Quando completavam um ano de idade (alguns ate antes) eram ensinados a temer a vara e a chorar baixinho; dessa maneira, com o tempo, escapavam da abundancia de correção que de outra maneira poderiam ter de receber; o irritante barulho de criança chorando raramente era ouvido na casa, mas a família normalmente vivia em tal quietude como se nem tivesse criança por ali. 

Assim que estavam mais crescidas e mais fortes, as crianças eram limitadas a três refeições diárias. No jantar, suas mesinhas e cadeiras eram colocadas ao lado da nossa,onde podiam ser observadas; podiam comer e beber o quanto quisessem, mas não pedir nada.Eles jamais podiam escolher o que queriam comer, mas sempre tinham que comer as coisas que eram providas para toda a família.Beber ou comer entre as refeições não era permitido, exceto em caso de doença, que raramente acontecia.

Às seis horas, logo depois do período de oração da família, as crianças jantavam; as sete, a empregada dava banho nelas e, começando pelos mais novos, colocava pijama e mandava para a cama, terminando pelas oito horas. Depois disso a empregada os deixava em seus quartos ainda acordados, pois em nossa casa não era permitido que alguém ficasse ao lado da criança ate ela adormecer.

As crianças eram acostumadas a comer e beber qualquer coisa que lhes fosse dado; assim, quando ficavam doentes, não havia dificuldade em fazer que tomassem o mais desagradável dos remédios; elas não ousavam recusar, embora às vezes alguém tivesse coragem de cuspir. Menciono isso para mostrar que uma pessoa pode ser ensinada a tomar qualquer coisa, mesmo que seja algo que não agrade a seu estômago.

Para formar a mente das crianças, a primeira coisa a ser feita é dominar sua vontade e torná-las obedientes.

 Formar o entendimento pode levar tempo e devemos ir passo a passo, respeitando o nível com o qual a criança pode suportar; o domínio da vontade é algo que deve ser feito de uma vez e quanto mais cedo melhor; se negligenciarmos a correção no tempo certo, a criança cria uma teimosia e obstinação muito difíceis de serem dominadas e que não poderão ser corrigidas sem uma severidade tal que será doloroso tanto para a criança como para os pais. Na opinião do mundo, são considerados pais legais; eu porem chamo de pais cruéis, aqueles que permitem que a criança adquira hábitos que eles já sabem que mais tarde terão que ser quebrados.

Por meio da correção, a criança deve ser dominada; isso não será difícil, se não permitirmos que cresça sendo “cabeça dura” por causa da indulgencia excessiva. E quando a vontade da criança está totalmente sob controle e ela tem uma atitude de reverencia e de profundo respeito diante dos pais, então um grande numero de tolices infantis e pequenas desobediências são evitadas.

Insisto no domínio da vontade da criança desde cedo, porque esse e o único fundamento forte e racional de uma educação religiosa, sem o qual ambos, preceito e exemplo serão igualmente ineficazes; mas quando isso é rigorosamente feito, então a criança pode ser governada pela razão e pela piedade dos pais, ate que seu próprio entendimento atinja a maturidade e os princípios da religião tenham criado raízes em sua mente.

Como a vontade controlada pelo egoísmo é a raiz de todo o pecado e miséria, então qualquer um que permita ou semeie isso numa criança esta assegurando sua infelicidade e falta de fé; qualquer um que a ajude a quebrar e controlar sua vontade humana promove sua futura felicidade e piedade. Isso fica ainda mais evidente se alem disso considerarmos que a religião nãé nada mais do que fazer a vontade de Deus e não nossa própria vontade; o único grande impedimento para nossa felicidade temporal e eterna é justamente nossa vontade obstinada; é importante não ser indulgente com ela e nenhuma renuncia será sem recompensa. Ir para o céu ou para o inferno dependerá exclusivamente disso.

 Assim, o pai que luta para ajudar a criança a dominar sua vontade trabalha junto com Deus, na salvação e renovação de sua alma. O pai indulgente trabalha com o diabo; torna a religião impraticável, a salvação inalcançável e faz tudo o que pode para condenar para sempre o corpo e o espírito dos filhos.

Rapidamente foram ensinados a entender que não receberiam nada se ficassem chorando e gritando e a pedir com educação e gentileza quando queriam algo. Não era permitido que pedissem nada a empregada sem dizer, “Por favor, me de isso”; e a empregada era instruída a nunca atender, se nao pedissem dessa maneira.

Usar o nome de Deus em vão, amaldiçoar e rogar pragas, profanar, obscenidades, palavrões, eram coisas jamais ouvidas entre eles; nem tampouco era permitido chamar um ao outro pelo seu nome, sem acrescentar irmão ou Irma.

Não havia tais coisas como brincadeiras barulhentas ou conversas em voz alta, mas cada um cuidava de fazer suas tarefas, durante as seis horas de aula. 

Havia varias regras observadas entre-nos; vou mencioná-las aqui porque creio que são uteis.

Primeiro, tínhamos observado que a covardia e medo da punição freqüentemente levavam as crianças a mentir, ate que se acostumaram. Para evitar que mentissem, foi feita uma regra, que qualquer um que cometesse uma falta e voluntariamente a confessasse e prometesse nao fazer mais, não devia apanhar. Essa regra evitou um grande numero de mentiras e teria feito mais, se alguém na família tivesse obedecido; mas não poderia prevalecer, pois começaram a desobedecer premeditadamente, já planejando confessar e não serem castigados, o que deu margem para muitos equívocos na disciplina. Algumas crianças, contudo, falavam a verdade e eram sinceras.

Segundo, que nenhuma ação pecaminosa como mentira, roubo de moedas na igreja, desobediência, brigas, etc, deveria ficar sem uma punição.

Terceiro, que nenhuma criança deveria ser repreendida ou castigada duas vezes pela mesma falha, e que depois que mudassem o comportamento jamais deveriam ser censuradas.

Quarto, que todo sinal de obediência, especialmente quando praticado indo contra as proprias inclinações, sempre deveria ser elogiado e freqüentemente recompensado, de acordo com o mérito do caso.

Quinto, que se qualquer uma das crianças tivesse um ato de obediência, ou fizesse algo com a intenção de agradar, embora nao tivesse feito direito, mesmo assim a obediência e a intenção deveriam ser calorosamente aceitas e a criança instruída com delicadeza a como fazer melhor da proxima vez.

Sexto, que a propriedade (os direitos a propriedade) fossem invariavelmente preservados e a ninguem seria permitido invadir a propriedade de outrem, para pegar qualquer coisa que fosse, tendo ou nao valor, sem o consentimento do dono e muito menos contra sua vontade.

Sétimo, que cada promessa fosse rigorosamente cumprida; e um presente, uma vez dado, passaria a ser propriedade exclusiva daquele que o recebeu, a nao ser que houvesse condições para a doação e que tais condições nao tivessem sido obedecidas.

Oitavo, que nenhuma menina trabalharia ate que pudesse ler muito bem; e que ela mantivesse em seu trabalho a mesma aplicação e gastasse o mesmo tempo que utilizasse para ler. Essa regra deveria ser obedecida cuidadosamente, pois aprender a costurar antes de aprender a ler é a razão porque tao poucas mulheres sao capazes de ler em voz alta  de maneira que possam ser compreendidas.

Susana Wesley, mãe de John e Charles Wesley, fundadores da Igreja metodista Wesleyana.

Original de Mãe Imortal, Franklin Wilder, Vantage, Nova York, 1966, pags. Retirado do livro “Os passos de uma Mulher que serve a Deus de Joyce Thompson”, editado por Adriana Costa.

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