Do Coração do Bispo

Um breve olhar para a prática pastoral de John Wesley.

Por Bispo Anderson Caleb

Percebo em Wesley e sua práxis, alguns norteadores nucleares e revolucionários, atuais, que são princípios de um pastorado ao estilo de Jesus e do Novo Testamento.
Tais como:

1. A destemplificação do ministério.
Em Wesley o ministério ganha as ruas, cadeias, minas de carvão, praças e os lares. Sai do templo. A igreja anda muito trancada hoje. Resgatemos a herança das ruas, praças. “O mundo é nossa Paróquia”.

2. A desclericalização do sacerdócio.
Em Wesley, os leigos e até as mulheres ganham voz e vez. O Pastor wesleyano não pode monopolizar a Palavra, centralizar tudo em si, ele precisa perceber o sacerdócio de todos os crentes. A mão de obra “leiga” pode salvar uma igreja da estagnação.

3. A desprofissionalização do carisma e prática pastoral.
Sim pois em Wesley temos um pastor apaixonado, que não batia ponto três ou quatro vezes por semana. Pregava sempre, orava sempre, escrevia e lia. Sua vida devocional não deixa dúvida que pra Wesley ser pastor é ser sacerdote e não gerente.

4. Também percebemos em Wesley, a des-pós-modernização do ministério e do evangelho.
Em Wesley não se percebe relativismos, a disciplina é essencial. Apesar de valorizar a unidade cristã, Wesley defendeu a sã doutrina, fincou em pé na supremacia das Escrituras, inclusive acima do racionalismo humanista. O modernismo e o pós-modernismo, em seus aspectos danosos, não encontram lugar em sua práxis e pregação.

5. Em Wesley lemos ainda a mensagem da “desalienação” politica e social do ministro e do cristão.
Wesley restaura o conceito de “imagem política” do homem. Wesleyanos são seres inconformados com a injustiça e com a miséria. Wesley restaura a veia profética do ministério. Ministério esse, que tem o dever de se manifestar contra e diminuir a injustiça ao seu redor. Pastor não só deve fazer o bem e promover a justiça, mas também denunciar e desfazer injustiças.

6. E ainda em Wesley discernimos o descongelamento do coração e da experiência Cristã.
Corações abrasados, em brasas, aquecidos e em chamas, são distintivos dos ministros wesleyanos. Aldersgate resgata a experiência real, o fogo que é aceso desde a conversão. Metodismo sem fogo não é metodismo wesleyano.

7. E por fim, Wesley propõe desmonergização do ministério e do discipulado cristão.
Para Wesley o homem trabalha em cooperação com Deus, é chamado pela graça a participar do processo desde o início de sua salvação. A uma sinergia no cristianismo. Sendo assim o ministro e o crente possuem responsabilidade diante da graça. Em Wesley temos a “via saluts”, que é um caminho, uma jornada, e não apenas uma “ordus saluts”.

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